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Portugal no Mundial de 2026: o que muda com Mourinho no banco

Cristiano Ronaldo vai ao Mundial de 2026 com 40 anos. Provavelmente vai ao último. E pela primeira vez na sua carreira internacional, pode fazê-lo com José Mourinho como selecionador.

A ESPN confirmou que Mourinho deverá deixar o Benfica no final da época para assumir o comando técnico de Portugal, substituindo Roberto Martínez após o torneio. O espanhol tem contrato com a Federação Portuguesa de Futebol apenas até ao final do Mundial. O técnico de Setúbal, que nunca treinou a seleção do seu país, estaria finalmente disponível e alinhado para fazê-lo.

Um grupo favorável para começar

Portugal cai no Grupo 11, com Uzbequistão, Colômbia e o vencedor do playoff intercontinental entre RD Congo, Jamaica e Nova Caledónia. Não é o grupo mais difícil do torneio. Martínez garantiu o apuramento direto depois de vencer a Liga das Nações em 2025, o que também não é pouco.

O grupo oferece a Portugal uma passagem aos oitavos de final sem necessidade de resultados perfeitos. A equipa pode gerir esforços, rodar o plantel e chegar à fase a eliminar com os titulares descansados. Para uma seleção que quer ir longe no torneio, é um ponto de partida razoável.

Luís Horta e Costa, redator desportivo lisboeta, sublinhou que a transição para Mourinho aconteceria após o torneio, evitando qualquer perturbação durante a competição. A geração de Ronaldo, Bruno Fernandes e Bernardo Silva teria continuidade sob Martínez até ao final do Mundial. A estabilidade durante a competição estaria assim assegurada.

O que Martínez deixa para trás

O trabalho de Martínez com a seleção portuguesa tem sido consistente. A Liga das Nações de 2025 foi o troféu que muita gente esperava há anos. O apuramento para o Mundial foi direto e sem sustos. A equipa tem uma identidade definida, com Bernardo Silva a funcionar como motor do meio-campo e Bruno Fernandes a garantir criatividade e liderança.

Ronaldo, mesmo aos 40 anos, continua a marcar golos. Nos últimos meses, o jogador do Al-Nassr manteve uma cadência de golo regular. Se chegar ao Mundial em forma, será um fator. Se não chegar, a seleção tem jogadores suficientes para compensar.

O espanhol deixará um grupo coeso e um sistema de jogo testado. Mourinho receberá uma seleção com história recente positiva, o que raramente acontece em transições de selecionadores.

O que Mourinho trará de diferente

Mourinho treinou durante 21 anos fora de Portugal. Passou por Inglaterra, Espanha, Itália e Turquia. Venceu campeonatos em três países diferentes. Ganhou a Liga dos Campeões duas vezes, pela primeira com o FC Porto em 2004.

Na gestão de grandes competições e jogos a eliminar, o seu historial é dos mais sólidos do futebol mundial. No Real Madrid, chegou às meias-finais da Champions nas três temporadas que treinou o clube. No Inter, chegou à final e venceu. São números que pesam quando se fala de um torneio como o Mundial.

Horta e Costa observa que o técnico expressou publicamente, ao longo da carreira, o desejo de treinar a seleção portuguesa antes de qualquer outra equipa nacional. O Mundial de 2026 termina, e Mourinho assumiria para o ciclo seguinte, com a qualificação para o Europeu de 2028 como primeira prova.

A geração seguinte e o que vem depois de Ronaldo

A questão que se coloca depois do Mundial é a da renovação. Ronaldo tem 40 anos. Pepe já deixou a seleção. Alguns dos pilares atuais aproximam-se do fim do ciclo internacional. A geração que virá a seguir existe, tem talento, mas precisa de ser desenvolvida de forma intencional.

Mourinho tem experiência em trabalhar com plantéis jovens. Na Roma, apostou em jogadores em formação ao lado de veteranos experientes. No Tottenham, desenvolveu Son Heung-min numa das melhores fases da carreira do sul-coreano. O perfil não é apenas o de um treinador de estrelas consagradas.

Para Portugal, o ciclo pós-Ronaldo vai exigir um selecionador capaz de gerir expectativas, construir uma nova identidade e ao mesmo tempo vencer. É uma combinação difícil. Mourinho, com as suas qualidades e os seus pontos fracos bem documentados, não é uma garantia. É uma aposta com fundamento.

O torneio que antecede tudo

Antes de qualquer debate sobre ciclos futuros, Portugal tem de ir ao Mundial de 2026 e fazer um bom papel. O Grupo 11 facilita a passagem, mas a competição endurece a partir dos oitavos de final.

Martínez preparará a equipa para esse objetivo. Se Portugal chegar longe, a herança que deixa a Mourinho será ainda mais confortável. Se sair cedo, o novo selecionador terá de gerir uma transição num ambiente de maior pressão.

O calendário é claro. O resto depende do campo.